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segunda-feira, 17 de abril de 2017

«Escaparate de Utilidades»
Lavilo, para roupas finas

Jornal "Diário de Notícias", 6 de Abril de 1942

segunda-feira, 10 de abril de 2017

«Escaparate de Utilidades»
Petróleo para o cabelo Petrolite

Jornal "Diário de Lisboa", 11 de Abril de 1941

quarta-feira, 29 de março de 2017

Guerra em Timor e Macau são temas para filme e livro

O livro “O Diário de Tenente Pires”, que relata a ocupação japonesa de Timor, vai servir de inspiração ao realizador português Francisco Manso quer fazer uma longa-metragem de ficção sobre o tema.

Tenente Manuel Pires
À Agência Lusa o realizador disse que pretende relatar "aquela barbaridade terrível. Os japoneses mataram milhares de timorenses, criaram campos de concentração para os poucos portugueses que ali viviam na altura, sem defesa nenhuma, porque quando pediram armas ao Salazar, ele ficou caladinho, porque não queria ali levantar problemas".

A resistência foi garantida por cerca de 300 australianos que "conduziram uma luta de guerrilha contra milhares de japoneses". 

Os australianos contaram com o apoio de timorenses e também de portugueses, "que foram considerados lesa-pátria em Portugal e foram exilados em Timor, mas esses é que eram verdadeiros patriotas porque tentaram defender Timor contra uma ocupação estrangeira", explica Francisco Manso.

O tenente Pires, português, "morre lá", depois de aprisionado pelos japoneses e de ter estado num campo de concentração.

A obra, acrescentou, "mostra o que aquele pequeno território sofreu ao longo de tempo, com estas sucessivas ocupações de gente musculada e bruta e de potências regionais". 

Para Francisco Manso, é "um prodígio como é que conseguiram resistir a tudo isto".

O argumento está escrito e os custos elevados do projeto deverão levar ao envolvimento da Austrália na produção. No próximo ano deverão ser realizadas as primeiras abordagens e levantamentos.


Rodrigues dos Santos escreve sobre Macau

“A Porta do Cerco” é o nome do romance que o jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos está a escrever que tem como cenário Macau durante o período da II Guerra Mundial.

A ideia surgiu quando participou na primeira edição do festival literário Rota das Letras, em Macau, onde este ano é novamente convidado: "Há cinco anos estive em Macau e tive a ideia de fazer um romance que tocasse em Macau durante a II Guerra Mundial", disse o autor à Lusa.

Tal como todos os seus romances, "A Porta do Cerco" -- inspirado no nome da principal fronteira terrestre entre Macau e a China, chamada Portas do Cerco -- será alicerçado em factos históricos e centrado num século que o jornalista considera "muito interessante" por ser "de conflitos de ideologias". 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Macau durante a II Guerra em Seminário

Realiza-se amanhã (23 de Março) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Lisboa, um Seminário dedicado ao tema "Imperialismo(s) e anti-imperialismo na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial: O caso de Macau". Este é o sexto seminário integrado no ciclo 'Marcas do Império'.


Síntese:

A Segunda Guerra Mundial marcou o pico e o princípio do fim do imperialismo estrangeiro na China no período contemporâneo.

Diferentes cidades chinesas assistiram a uma interacção complexa de pessoas, ideias e acções imperialistas e anti-imperialistas durante a guerra na Ásia. Uma dessas cidades foi Macau, então sob administração portuguesa.

Tendo em conta o contexto da história de imperialismo(s) na China desde meados do século XIX, a que será feita uma introdução, esta apresentação irá explorar a experiência de Macau como espaço de coexistência de diferentes dinâmicas imperialistas e anti-imperialistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Através de uma abordagem transnacional, esta sessão irá reflectir sobre a relevância de se procurar superar análises eurocêntricas daquele conflito, assim como a sua importância para compreender acontecimentos recentes na região da Ásia-Pacífico.

Este Seminário conta com a presença de Helena F. S. Lopes, licenciada em História pela FCSH/NOVA, doutoranda em História no St. Antony's College, University of Oxford, , mestre em Estudos Chineses e em Métodos de Investigação

quarta-feira, 15 de março de 2017

Livros...
Na Toca do Lobo

Larry Loftis faz o retrato biográfico de Dusko Popov, um dos mais importantes espiões da II Guerra Mundial, que passou diversas vezes por Lisboa e aqui contactou com amigos e agentes de ambos os lados.

Popov foi um espião duplo que, por exemplo, avisou os americanos do ataque a Pearl Harbour e foi peça central no esquema que enganou os alemães no Dia D em 1944. Foi um mulherengo e jogador inveterado que apontando como tendo servido de base ao mais conhecido espião do mundo ficcional: James Bond, o agente 007.


"Na toca do Lobo", de Larry Loftis.
Saiba mais AQUI.

Sinopse Oficial:

CASINO ESTORIL - MAIO DE 1941

O ambiente no casino estava ao rubro. Um misterioso jogador sérvio não dava qualquer hipótese aos seus adversários. Tratava-se de um agente duplo britânico, Dusko Popov, e o dinheiro que apostava pertencia aos súbditos de Sua Majestade. Ian Fleming, que alcançaria a fama enquanto escritor das aventuras do famoso agente secreto 007, assistia com interesse ao desenlace de tamanha proeza.

Desde muito cedo, Popov destaca-se como um rebelde playboy.
É expulso da escola preparatória de Londres e, mais tarde, preso e banido da Alemanha por fazer declarações desfavoráveis ao Terceiro Reich. Começa então a verdadeira aventura da sua vida ao transformar-se no mais charmoso e bem-sucedido dos espiões, servindo três poderosos mestres de guerra: Abwehr, MI5 e MI6 e FBI.

A 10 de agosto de 1941, os alemães enviaram Popov aos EUA para construir uma rede de espionagem e reunir informações sobre Pearl Harbor. Desiludido com J. Edgar Hoover, que ignorou os seus avisos sobre o interesse dos japoneses em Pearl Harbor, regressou à sede dos serviços alemães em Lisboa. Mantendo o jogo duplo, conseguiu ajudar o MI5 a lograr a Abwehr sobre a invasão do Dia D.

Sob a máscara de diplomata jugoslavo, viveu intensamente as mais perigosas aventuras e saiu ileso de todos os conflitos.
Na Toca do Lobo é um relato incrível de espionagem, mentiras e altos riscos. É uma história de subterfúgios e sedução, patriotismo e coragem. 

É a história de Dusko Popov - a inspiração para James Bond.

Carlos Guerreiro

terça-feira, 7 de março de 2017

Sete anos e 250 mil visualizações


Foi quase sem dar por isso que o "Aterrem em Portugal!" ultrapassou as 250 mil visualizações...

A primeira mensagem foi colocada em Março de 2010 e, sete anos depois, existem cerca de 770 textos com um quarto de milhão de leituras. Pode não parecer muito, mas dá algum gozo ver uma brincadeira chegar aqui...

Obrigado a todos por sete anos de apoio e incentivo.

Carlos Guerreiro

quinta-feira, 2 de março de 2017

Duas notas sobre uma bomba

Recebi nos últimos dias alguns e-mails sobre a bomba que foi pescada pelo arrastão "Mar Salgado" na zona da Nazaré. O facto de vários órgãos de informação terem referido que se poderia tratar de uma bomba da II Guerra Mundial resultou nalguns contactos que fui respondendo como pude, pois encontrava-me longe de casa e com acesso condicionado à Internet e às fontes de informação.


Passados alguns dias sobre o acontecimento e depois de aceder a diversas notícias gostava de deixar duas notas sobre o tema:

1 - Não se pode excluir a possibilidade de serem encontradas nas nossas águas bombas, munições ou outro material pertencente a aviões da II Guerra Mundial. Entre 1939 e 1945 foram diversos os aviões alemães ou aliados que realizaram ataques a navios ou submarinos ao longo da nossa costa. Como exemplo deixo três artigos onde o tema é referido, nomeadamente, "O Junho Quente de 1943", "Pescadores Debaixo de Fogo" e "Quando o São Vicente se Afundou".

A possibilidade de um dos explosivos utilizados não ter deflagrado é maior do que se possa pensar. Segundo alguns especialistas podem não ter explodido até 10 por cento de todas as bombas lançadas durante o conflito. De resto pode existir material deste tipo que foi perdido, largado em resultado de uma avaria ou parte do arsenal de um aparelho que desapareceu. Há vários, tanto alemães como aliados, que se esfumaram sobre mar o português sem deixar rastro.

2 – Em várias notícias que surgiram a bomba era referida como sendo uma MK-82. Mesmo não sendo um especialista neste tipo de equipamento militar foi fácil encontrar informação sobre a série Mk-80. O modelo foi desenvolvido depois da II Guerra Mundial e teve ampla utilização na Coreia e no Vietname, sendo uma unidade de uso comum em vários países NATO...

Baseando-me nestes elementos, e se de facto se trata de uma Mk-82, é difícil - senão impossível - que pertença ao período da II Guerra Mundial.

Carlos Guerreiro

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Postalinho...
A balança da Vitória


Postal de propaganda britânico de 1942 ou data posterior que é, simultaneamente, uma mostra de força perante a Alemanha e uma denúncia contra o nazismo.

Este postal deverá integrar uma vasto conjunto de materiais elaborado pelo "Central Office of Information", um organismo que funcionou com agência de propaganda para as forças aliadas, produzindo filmes, postais, brochuras e outros materiais que era distribuídos por Inglaterra, colónias, e países de Commonwealth, ocupados ou neutrais.

Veja outros postais AQUI...

Carlos Guerreiro

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Fotografias do afundamento do U-581

As fotografias do afundamento do U-581 junto à ilha do Pico pertenciam a um tripulante do Westcott, o contra-torpedeiro britânico que abalroou o submarino alemão depois deste ser obrigado a emergir devido a uma avaria na madrugada de 2 de Fevereiro de 1942.

Imagem que mostra os tripulantes do U-581 na água,
avistando-se também a torre do submarino um pouco mais à frente

(Fonte: World War Two-The War at Sea)
A história deste combate em águas portuguesas ganhou relevo na última semana, altura em que passavam 75 anos sobre o acontecimento, depois dos destroços do submarino terem sido descobertos a 800 metros de profundidade pelos técnicos da Fundação Rebikoff-Niggeler.


Sobreviventes do U-581 a serem recolhidos pelos Westcott.
(Fonte: World War Two-The War at Sea)
Após a publicação do relato do afundamento, na última semana, foi possível descobrir estas fotografias num outro site dedicado à II Guerra Mundial. As imagens foram cedidas pelo filho do tripulante, Alan Chitty, que deixou também algumas memórias do pai.

Alan adiantou a Mike Kemble, autor do site "World War Two - The War at Sea", que o pai, falecido em 2009, não falava muito da guerra mas que a memória do abalroamento foi repetida diversas vezes...

Carlos Guerreiro

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A batalha que afundou o U-581 junto ao Pico

Passavam poucos minutos das nove da manhã do dia 2 de Fevereiro de 1942 quando dois marítimos da ilha do Pico, nos Açores, tiraram do mar o enregelado Walter Sitek, um oficial da marinha alemã, que nadara em direcção à ilha portuguesa durante mais de três horas, depois do submarino em que seguia – o U581 - ter sido afundado por um contratorpedeiro britânico.

O Llangibby Castle pouco depois de chegar ao porto da Horta.
É bem visível o rombo causado pelo torpedo.
O combate acontecera de madrugada e foi ouvido e avistado por residentes do Pico, que nesse dia teriam oportunidade de assistir a outros recontros entre navios da Royal Navy e submarinos da Kriegsmarine, os primeiros encarregados de proteger um navio de transporte e os segundos tentando afundá-lo.

O Llangibby Castle era um navio de passageiros com quase 12 mil toneladas, que em 1940 tinha sido requisitado pelo almirantado para transportar tropas. Em Janeiro de 1942 integrou o comboio WS-15 com destino a Singapura, transportando cerca de 1400 homens ligados a unidades de engenharia e especialistas da RAF.


Um penoso trajecto até à Horta 

Na manhã de 16 de Janeiro de 1942 a popa do navio explodiu depois de ser atingida por um torpedo disparado pelo submarino U-402 que perseguia o comboio. Ficou com um buraco gigantesco, perdeu o leme, sofreu várias baixas entre tripulantes e passageiros.

Apesar dos estragos os hélices continuavam a funcionar permitindo que este tentasse chegar a um porto seguro enquanto fintava ataques inimigos.

Sem escolta, que seguira com o resto do comboio, o caminho não foi fácil. Manobrando apenas com as hélices conseguiu escapar às bombas lançadas por aviões da Luftwaffe, Fw-200 Condor, mas não conseguiu fazer o mesmo em relação aos disparos das metralhadoras que causaram mais algumas baixas as bordo.

O capitão do porto da Horta, primeiro-tenente António Morgado Belo, recebeu o pedido de ajuda à hora de almoço do dia 19, quando o Llangebby Castle se encontrava 90 milhas a Nordeste da ilha. O contratorpedeiro Douro, que se estava no cais, foi posto de sobreaviso caso fosse necessário realizar uma operação de socorro ou de protecção, mas não chegou a sair.

O navio britânico surgiu no horizonte às 10 da manhã do dia seguinte e, com a ajuda do piloto-mor, conseguiu entrar no porto, trazendo 26 mortos e vários feridos a bordo. Quatro destes últimos receberam assistência hospitalar na Horta e um deles, o contra-mestre George Reardon, ficaria em Portugal durante vários meses a recuperar de um grave ferimento na coxa.

Depois de uma vistoria o navio foi autorizado a permanecer 14 dias para realizar reparações, uma informação fornecida em segredo ao cônsul britânico da ilha. Talvez porque existiam espiões na ilha, porque o U-402 conseguiu reencontrar ou adivinhar para onde se dirigia a sua vítima ou porque foi interceptada alguma comunicação, os alemães souberam da presença do transporte na Horta e lançaram alerta para os seus submarinos.


O acidentado cruzeiro do U-581 

O U-581, sob ordens do comandante Werner Pfeifer, foi um dos submarinos que se desviou da rota para tentar apanhar o Llangibby Castle. Saíra do porto francês de St. Nazaire no dia 10 de Janeiro de 1942 com destino à Terra Nova, onde deveria realizar patrulhas durante 14 dias, regressando de seguida a França.

Torre do U-581
Os problemas começaram logo no primeiro dia quando a tripulação testava mergulhos rápidos perto da costa francesa. Durante o exercício o navio chocou com o fundo e danificou o leme que em certas situações deixou de reagir às ordens, o que condicionou o resto do cruzeiro.

Apesar do começo desastrado as coisas começaram a correr um pouco melhor. Perto das 23 horas de 19 de Janeiro, 200 milhas a Oeste de Gibraltar, avistaram o que parecia uma corveta de guerra britânica navegando sozinha.

O mar estava calmo, a noite escura e chuvosa. Dispararam dois torpedos, um dos quais partiu o navio ao meio. Menos de um minuto depois registaram-se novas explosões, talvez causadas pelas cargas de profundidade que se encontravam a bordo. Uma busca entre os destroços não localizou sobreviventes.

 Tratava-se possivelmente do “Trawler” patrulha “Rosemonde” que partira de Gales a 13 de Janeiro com destino a Gibraltar e desapareceu sem sobreviventes durante a viagem.

A ordem para se dirigirem para a Horta interrompeu os planos de continuarem para a Terra Nova. No dia 31 já estavam nas imediações da ilha e, durante a noite fizeram uma visita ao porto. Aparentemente o Llangibby Castle encontrava-se atrás do cais de pedra, o que impediu que disparassem torpedos para o afundar.

Do submarino conseguiam ver o movimento em terra e as luzes dos carros a passar. No dia seguinte afastaram-se para alto mar onde permaneceram longe da vista, mas prontos a intervir caso fosse necessário.

Quando caiu a noite o U-581 estava de nova à entrada do porto. Por volta das duas da manhã encontrou-se com outro Uboat que entretanto também havia chegado à ilha. Os comandantes Werner Pfeifer, do U-581, e Siegfried Von Forstner, do U-402, alinharam os seus navios e a estratégia a seguir.

Decidiram colocar-se nos extremos do canal que separa a Horta do Pico. Forstner patrulharia o norte e Pfeifer o sul, cobrindo qualquer das saídas que o Llangibby Castle pudesse utilizar.


Um combate anunciado 

Sem conhecimento dos alemães tinham chegado, durante a noite, um rebocador de mar alto, o "Thames", e três contratorpedeiros – Westcott, Croome e Esmoor – com o objetivo de proteger o Langibby Castle até Gibraltar, onde poderia ser alvo de reparações mais demoradas.

De madrugada o U-581 apercebeu-se da aproximação de dois navios de guerra. Disparou um torpedo da popa, mas este passou muito longe do alvo. Com uma lua forte que iluminava a noite o comandante alemão deu ordens para submergir, mas durante manobra, e quando se encontravam a cerca de 80 metros de profundidade, saltou um rebite do escape de saída de fumos de bombordo e a água entrou em torrentes para o compartimento do motor a diesel. A ameaça estendeu-se depressa ao motor eléctrico, que permitia ao submarino navegar submerso.

O HMS Westcott
Num ambiente descrito pelos tripulantes como sendo de pânico, e com navio a descer cada vez mais para o fundo, foi dada ordem para realizar uma emersão de emergência, enchendo de ar os tanques de lastro.

O Uboat disparou dos 160 para os 20 metros de profundidade, altura em que o engenheiro de bordo alertou o comandante para o facto de se ouvirem de forma muito clara as hélices dos navios que estavam por cima. O perigo de chocar com um deles era muito real.

Foi dada nova ordem para descer e a operação, meio descontrolada, levou o submersível de novo aos 150 metros. Segundo alguns tripulantes foi naquele momento que os nervos de Pfeifer cederam, tendo dado nova ordem para emergir.

Durante estas manobras o submarino aproximou-se intencionalmente do Pico, mas na época não ficou claro se o combate acontecera em águas territoriais – e por isso neutras – ou não. A equipa da Fundação Rebikoff-Niggeler, que descobriu os destroços em Setembro passado, publicando as primeiras fotografias na National Geographic deste mês, confirmou que o submarino se encontra a 2,1 milhas da costa, indiciando que o combate ocorreu em águas portuguesas. Hoje essa informação não é relevante, mas na época poderia ter desencadeado um conflito diplomático…

Tanto o Westcott como o Croome seguiam os sinais do sonar quando o submarino emergiu repentinamente nas proximidades. Ian Bockett-Pugh, comandante do primeiro contratorpedeiro, mandou virar o navio e a toda a velocidade tentou abalroar o U-581. O submarino escapou por pouco, mas não conseguiu evitar o efeito da explosão de dez cargas de profundidade lançadas durante a sua passagem.

Com uma viragem apertada para bombordo o Westcott aproou de novo ao submarino insistindo na tentativa de abalroamento. Disparar os canhões era perigoso devido à proximidade do Croome.

Contratorpedeiro e submarino encontravam-se agora em rota de colisão. Quando se cruzaram o navio britânico rodou para estibordo atirando a quilha para cima do submarino junto da torre. A maior parte dos alemães, que já estavam a sair para a coberta, saltaram para a água pouco antes do impacto...

O Westcott mostrava intenções de repetir o abalroamento, mas o submarino ergueu a proa e afundou-se rapidamente. O comandante tinha dado ordens, antes de abandonar o seu navio, para abrir as válvulas para facilitar a entrada de água. Eram cerca das seis da manhã.

Quatro homens morreram, mas 42 conseguiram saltar para a água e todos, à excepção de um, foram recolhidos pelos dois contratorpedeiros britânicos. Walter Sitek tinha sido um dos primeiros homens a sair para o convés do submarino e quando viu os camaradas saltar fez o mesmo. Tirou a roupa, ficando apenas com uma camisola e o colete salva-vidas vestidos. Não queria em circunstância nenhuma ficar prisioneiro e por isso nadou… com toda a força que tinha.

Depois de ser recolhido no pequeno barco de pesca, três horas depois, acreditava que a maior parte dos seus camaradas tinha morrido.

Pouco satisfeitos com esta “fuga” ficaram os oficiais alemães aprisionados. Durante o interrogatório tanto o comandante como o engenheiro ficaram preocupados com a possibilidade de Sitek relatar, na Alemanha, o mau ambiente que se vivia a bordo do submarino e a forma como foi conduzido o cruzeiro e o combate.

Em terra, na Candelária, Sitek foi tratado e vestido. Seguiu depois para a Madalena e dali para a cidade, onde foi assistido pelo médico do contratorpedeiro português Douro. Regressou depois à Alemanha onde comandou submarinos e sobreviveu à guerra. Foi condecorado com uma Cruz de Ferro de Segunda Classe e outra de Primeira.


Outro combate no canal de São Jorge

O Llangibby Castle saiu do porto da Horta, auxiliado pelo rebocador, por volta das 11 da manhã. Pouco depois foi rodeado pelos dois contratorpedeiros que horas antes tinham combatido o U-581. Mais a norte esperava-os o terceiro navio de guerra. Todos seguiram depois pelo canal de São Jorge onde ao fim da tarde se viriam a registar novos combates, mais uma vez à vista de terra.

Walter Sitek
(Uboat Net)
Por volta das 17 horas, a meio do canal, um dos contratorpedeiros saiu da formação para lançar várias cargas de profundidade. O efeito das explosões fez-se sentir na Piedade, Ilha do Pico. Ao mesmo tempo foi avistado a algumas milhas do comboio um submarino à superfície cruzando o canal.

Uma hora mais tarde um contratorpedeiro voltava a destacar-se da escolta para atacar o submarino que estava a aproximar-se à superfície. Os alemães parecem ter mergulhado à pressa, não voltando a ser avistados, apesar dos britânicos terem continuado – pontualmente – com disparos e, possivelmente, com o lançamento de cargas de profundidade. O submarino não foi atingido.

O Llangibby Castle chegaria com a sua escolta a Gibraltar dias depois. Foi alvo de algumas reparações e depois seguiu para Inglaterra onde recebeu finalmente um novo leme. Entre outras missões viria a participar no transporte de tropas no Dia D para a praia Juno e, mais tarde, também para as praias Omaha e Utah. Foi vendido para sucata em 1954…

Carlos Guerreiro

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

U-boat encontrado a sul do Pico

O U-boat 581 da marinha alemã, afundado em Fevereiro de 1942 na sequência de um combate com navios britânicos, foi encontrado a 13 de Setembro por uma equipa da Fundação Rebikoff-Niggeler, que utilizou um pequeno submersível para descer aos 800 metros de profundidade e fotografar os destroços.


As primeiras imagens foram publicadas na edição deste mês da revista National Geographic que revela também alguns detalhes sobre o combate que teve lugar a 2 de Fevereiro de 1942 e que levou ao afundamento deste navio.

Edição de Fevereiro da National Geographic
Toda história do combate, baseada nos relatórios compilados pelas autoridades portuguesas e informação britânico, será revelada na quinta-feira no aqui no blogue.

Até lá…

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Quando Lisboa recebeu Vivien Leigh e Lawrence Olivier

Em Janeiro de 1941 os jornais portugueses exibiram orgulhosas primeiras páginas anunciando a passagem por Lisboa do casal de actores Lawrence Olivier e Vivien Leigh, numa passagem que os havia de levar para Inglaterra onde pretendiam colaborar no esforço de guerra.

Chamada de Primeira página do
jornal "O Século" de 8 de Janeiro de 1941
Olivier e Leigh tinham casado em segredo em Agosto de 1940, depois de divórcios bastante badalados, e eram ambos estrelas reconhecidas de Hollywood, apesar de tanto um como outro serem britânicos.

A presença na capital portuguesa do actor de “Monte dos Vendavais” e da actriz que recebera o Óscar pelo seu papel em “E tudo o vento levou” causou um reboliço pouco habitual no porto de Lisboa.

O casal chegou a bordo do navio americano Excambion depois de ter passado dois anos nos EUA, ainda neutrais, mas onde não se sentiam úteis à guerra ou protegidos devido às sua ideias.

Na América havia mesmo quem temesse pela vida dos dois actores que abertamente apoiavam Churchill e criticavam Hitler, irritando alemães, pró-alemães e isolacionistas americanos por igual.

Os jornalistas portugueses subiram a bordo e encontraram o casal a reunir malas e as descrições publicadas na maior parte dos periódicos é digna de qualquer revista cor-de-rosa dos nossos dias.

Lawrence Olivier regressava com a intenção de se juntar à RAF, pois tinha experiência como piloto. À chegada a Inglaterra seria desafiado para participar em mais um filme de propaganda e mais seria integrado na Fleet Air Arm, a Força Aérea da marinha. Nunca se viu envolvido em combate a até ao fim do conflito esteve envolvido no esforço de propaganda participando e realizando filmes com esse objectivo.

Ficam alguns detalhes das notícias publicadas em dois jornais da época: O "Diário de Lisboa" de 7 de Janeiro de 1941 e "O Século" do dia seguinte.

Parte da notícia do "Diário de Lisboa"
de 7 de Janeiro de 1941

Parte da notícia do Jornal "O Século"
de 8 de Janeiro de 1941
Carlos Guerreiro